quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Quem conhece a Vigorelli !?






Da esquerda para a direita: eu, Nat King Cole, Mário Borrea e Elvis Presley.
 
Esse instantâneo foi flagrado na Biblioteca do blog. As pesquisas da equipe foram infrutíferas no sentido de identificar registros a respeito do fabricante das máquinas Vigorelli. Precisamos completar a ficha técnica desta de nosso acervo que estamos apresentando agora.
Solicitamos que aqueles que tenham alguma informação a respeito enviem-nas a este Blog aos cuidados do Elvis Presley utilizando o espaço destinado a comentário, lá no final da matéria.




Esta máquina foi adquirida no dia 18.11.2011 da empresa Luiz Carlos Dale Nogari dos Santos, Leiloeiro Oficial, NF 7696, em Passo Fundo/RS.

O verde  confere uma imagem de beleza  comparando  com o preto, cor comum às máquinas da época.

Passou um tempo no  ICR - Instituto de Criacão  e Restauracão do Mário Borrréa recebendo cuidados especiais. Abaixo podemos apreciar  algumas etapas do “trato “ recebido.  Estão vendo a Vigorelli, a artista de hoje, no centro, ladeada por estruturas, gavetas e tampas de outras máquinas? Pois pertencem a duas SINGER de nosso acervo aguardando lixamento, limpeza e posterior montagem. Em breve as teremos prontas posando pro retratista.



Esta outra imagem  mostra com clareza as partes da madeira original (danificadas) que sofreram “enxerto”. Após, com o acabamento  e aplicação de cera o rastro das interferências ficaram  imperceptíveis, sem apagar, no entanto, as marcas naturais do tempo.






 O conjunto final retrata o trabalho do restaurador que determina às suas mãos leveza e energia, buscando estabelecer com seguranca o limite tênue entre restauração X reforma.




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Podemos considerar o Elvis  “gente da casa”, assim com o Nat,  Nana Mouskouri, Wando, Angela Maria, Francisco Alves, e tantos outros. Escutem-no!






Considerando material interessante fornecidos por frequentadores deste blog, abrimos espaço para registro. Iniciamos com a participação de Ivani (http://ivani-arteemcasa.blogspot.com.br/2013/09/maquina-de-costura-vigorelli.html)


Máquina de Costura VIGORELLI

Anos atrás ganhei de meu irmão e cunhada uma máquina de costura reta, marca Vigorelli.
Produzida pela Metalúrgia Vigorelli na cidade de Jundiaí – SP. A empresa pediu concordata em 1982 e teve sua falência decretada quatro anos depois.

Comecei a pesquisar na Net, para tentar descobrir em que ano minha máquina foi fabricada e acabei descobrindo que no Brasil existe um Museu  de Máquinas de Costura – Museu Ângelo Spricigo em Concórdia – SC  com um acervo de mais de 900 máquinas de 100 marcas diferentes.

Foi lá que encontrei as duas únicas fotos de máquinas de costura semelhantes a minha. 
Uma delas possui o espelho do regulador de ponto mais moderno (?) e esta que parece realmente ser gêmea da minha.

Infelizmente  nas fotos do Museu não há nenhuma referência quanto ao ano de fabricação.

Como a empresa fabricante aqui no Brasil faliu, ficou difícil descobrir, mesmo  tendo o  número de série no corpo da máquina.

De qualquer forma , uma coisa é certa: foi antes da falência em 1986, o que já lhe dá no mínimo 27 anos!

Fiquei pensando  que ela já deve ter trabalhado bastante, tendo-se em vista as marcas de uso, ou seriam marcas de maus tratos?

Logo que ela chegou, fiz uma limpeza superficial, coloquei óleo e pedalei algumas vezes. Restaurei um String Quilt e outros pequenos trabalhos em paper piecing... Mas pra ser bem sincera acabei vencida pela modernidade e comprei uma máquina eletrônica.  E a Vigorelli  teve novo período de descanso, ficou lá, com seu gabinete servindo de apoio para várias coisas.

Resolvi dar uma nova chance para a minha Vigorelli.

Hora de fazer uma manutenção, para que ela possa desempenhar de uma forma mais adequada o seu papel. E vejam só o que encontrei:

muita poeira e sujeira incrustada
Foi um dia de muita paciência. Com um arsenal de palitos de dente, hastes flexíveis, escova de dente, chave de fenda e óleo de máquina de costura. Comecei a desincrustar depósitos e mais depósitos de material seco, poeira, restos de linha e manchas ressecadas de óleo. 
O Antes e o Depois
Limpeza dos dentes, área da bobina, lançadeira e engrenagens. Barra da Agulha, barra do Pé Calcador, pézinho, etc, etc, etc  Até o volante foi removido e limpo para que a trava da agulha  funcionasse na função encher bobina.
E para completar ela ganhou uma nova correia de couro.
os ossos do ofício
Algumas partes não são originais, já que as originais ou foram perdidas antes que a máquina chegasse a mim ou estão danificadas.  Talvez eu consiga encontrar peças para reposição em alguma empresa especializada em conserto e manutenção de máquinas de costura. Pena que aqui onde moro não existe este serviço. Preciso procurar pelas redondezas.

Por enquanto o resultado é este:
Testando a tensão do ponto
É uma máquina de costura simples. Não tem decalques dourados, a pintura não é a clássica, mas em sua simplicidade ela ficou muito mais charmosa e pronta para costurar por muitos e muitos anos por vir. Essas máquinas antigas são mesmo surpreendentes. 
Ah e eu adoro o "V" centralizado na base. 

E pelo visto, a Teka também aprovou!!
perfeito prá uma sonequinha básica.
Leiam também: 
MANUAL DE INSTRUÇÕES DA MÁQUINA DE COSTURA VIGORELLI
Parte 1 - Conhecendo a Máquina de Costura Vigorelli
Parte 2 - Como passar a Linha na Máquina de Costura Vigorelli
Parte 3 - Regulagem do ponto
Parte 4 - Limpreza e Lubrificação
Parte 5 - Como encher a bobina
Parte 6 - Agulhas para Máquinas de Costura

Parte 7 - Dentes Impelentes - como abaixar

Editado para incluir este link com a História da Vigorelli no Brasil: UM GIGANTE DERROTADO (grata a Sulinha Diniz pela dica!)





ABAIXO, REGISTRO COLABORAÇÃO DE DIlnei Giovane Pavanatto Nei







sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016


VIGORELLI – UM GIGANTE DERROTADO

Anúncio mostrando a fábrica
A Vigorelli foi um dos gigantes que ajudaram a construir a grandeza de nossa cidade.

Os Franco, família de judeus italianos chefiada pelo patriarca Giuseppe, imigraram para o Brasil em função do início da 2ª. Guerra Mundial.   Chegaram a São Paulo em 1940, dedicando-se ao comércio; terminada a guerra, passaram a dedicar-se à importação e exportação, criando a Importadora e Exportadora Francolite Ltda. (1947).

Anúncio da Vigorelli italiana
Inicialmente, importavam "kits" de máquinas de costura do Japão e da Itália para montagem no Brasil, o que era feito em um barracão na Rua Turiassú,   Pompéia, em S. Paulo. Os "kits" italianos provinham da Vigorelli Italiana, sediada em Pavia, cidade situada na região da Lombardia, no norte da Itália.

Mais tarde, obtiveram dos italianos licença para fabricação das máquinas e  adquiriram no bairro da Bela Vista, em nossa cidade,  um grande terreno onde começaram, em 1952 a construção da fábrica, que foi inaugurada pelo Governador Lucas Nogueira Garcez em abril de 1953. Parte desse terreno é hoje ocupada pelo Jundiaí Shopping. 

Para a montagem e operação da fábrica, contrataram o engenheiro Carlo Kummer, que trouxe consigo cerca de 15 técnicos especializados, todos originários de outra indústria italiana de máquinas de costura, a Necchi, também localizada em Pavia; dentre esses, os saudosos Carlo Farina, Luciano Galbarini, Matteo Vaira e Luciano Museli, que constituíram família em nossa cidade.

  Vigorelli fabricada em Jundiaí
A Vigorelli operou até 1984, tendo além das máquinas de costura (500 unidades/dia de  diversos tipos),  fabricado  móveis,    máquinas operatrizes,   cintos de segurança (os primeiros produzidos no Brasil),   hidrômetros, barcos de pesca  e  armas leves,  como submetralhadoras.

Infelizmente é mais uma empresa que se foi, destruída pela conjuntura econômica da época aliada à má administração. Mas, com certeza, deu sua contribuição à nossa cidade

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Cadeira Charles Eames; chique até hoje.


Os apreciadores de “coisas antigas” garimpam aquelas de sua preferência. Buscam rádios, relógios, bicicletas, ventiladores, e por aí vai,  numa lista interminável.


Acervo de Carlos Henrique G. Ramos - anos 60. - 

Cada qual com sua preferência. No caso, o artista plástico Carlos Henrique Gutíierrez Ramos buscou em  um “bric chique” uma Cadeira Charles Eames. Ocupa em  sua residência  lugar de destaque e o melhor; em pleno uso. Orgulhoso de sua propriedade  compartilha com os apreciadores desse blog nos enviando um retrato.

A Cadeira Charles Eames foi criada por Charles e Ray Eames em 1956, sendo seu design mundialmente reconhecido e até hoje sinônimo de requinte e sofisticação. O sucesso deve-se ao seu sofisticado processo construtivo onde são usadas chapas de madeiras curvas, uma revolução para a época.

Um móvel desta singularidade merece uma apresentação musical permeada pela mesma finesse.   Escute Dalida com Histoire d`un amour.

















Autor: Miguel A. Guggiana

sábado, 18 de agosto de 2012

Radio Transcoil / Elis Regina


Um comentário:
  1.  

O Rádio e a Elis foram minhas históricas emoções. Ele, -um Telespark, 9 bandas- recebi de presente em meu nono aniversário e consistia a minha janela ao mundo, a internet da época.
Ela, sempre sorridente, com vestido branco e sapatos de verniz, eu a acompanhava no Clube do Guri, no antigo auditório Araujo Viana, aos domingos.
Ambas vozes ainda me acompanham.
Parabéns, Miguel, pela preservação do Transcoll, expoente do tempo em que os rádios eram bonitos.

Darlou


O depoimento do amigo, que “colo “ aqui, enriquece o texto pela  naturalidade com que fala escrevendo e por buscar nas suas lembranças de infante imberbe a figura da Elis,  com referencias lúdicas.
Coloco-o no topo da matéria por considerar que esse tipo de manifestação sobrepõe-se à importância de um rádio por mais belo e raro que seja.
Arrisco, então;

Quem não lembra da Elis
        Sempre sorridente
              Com vestido branco
                   E sapatos de verniz !?
                          Feliz daquele que carrega ainda
                                   em sua retina
                                         essa  imagem e voz.
                                                 Apaniguado pelo destino
                                                                         Por certo.

De volta ao plano terreno e com os devidos reparos dou curso na apresentação do Rádio Transcoil.

  Este rádio foi recebido como presente dos amigos Airton e Ellen Bier. Foi fabricado pela Transcoil Eletronica Ltda durante os anos 70. Fábrica; Lausane Paulista, São Paulo/SP.

Pela sua idade, no mínimo 30 (trinta) anos podemos considerá-lo em execelente condição.
Passou por uma revisão de rotina tão sómente.


 Hoje temos aqui neste blog a
 presença de Elis Regina que 
nos brinda com Cadeira Vazia.










Autor: Miguel A. Guggiana

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Rádio Tanscoil


De volta ao plano terreno e com os devidos reparos dou curso na apresentação do Rádio Transcoil.



                                                                   Rádio de mesa – transistorizado -

  Este rádio foi recebido como presente dos amigos Airton e Ellen Bier. Foi fabricado pela Transcoil Eletronica Ltda durante os anos 70. Fábrica; Lausane Paulista, São Paulo/SP.




Pela sua idade, no mínimo 30 (trinta) anos podemos considerá-lo em execelente condição.



Passou por uma revisão de rotina tão sómente.






 Hoje temos aqui neste blog a
 presença de Elis Regina que 
nos brinda com Cadeira Vazia.

                                                                                                          http://www.youtube.com/watch?v=pdglEgb4oN8









Autor; Miguel Guggiana

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Antiga máquina de costurar couro (sapateiro)


Sessão solene na sede do blog.
 Da esquerda para a direita; Luis, o retratista, eu, Mario Borréa, Nat King Cole e Icio, o cartunista.


            
                                                                 Maquina de sapateiro – Patent Elastique

O motivo não poderia ser mais contundente; inclusão no acervo e apresentação através deste Blog de uma Máquina de Costurar Couro – século XIX -. Foi garimpada pelo Mário Borréa que soube de sua existência através de um entregador de gás que a  viu em uma casa, meia que encostada, mas ainda com sua estrutura e funcionamento preservadas.
O olho clínico do Mário foi decisivo para perceber que  tratava-se de uma peca raríssima. Entabulamos negociações com o entregador de gás e o dono da raridade. Concluída a engenharia financeira, com as partes satisfeitas, o Mário Borréa assumiu a regência e nos entregou essa beleza  que o retratista exclusivo deste blog registrou.


“... construída em caixa de ferro toda vazada, de laterais em pernas entrelaçadas em X e decorado em relevo de flores...” fonte; Museu de Artes e Ofícios de Minas Gerais.


 “... parte inferior com uma barra sustentando um pedal vazado em motivos fitomorfos, com um rabicho por detrás que transmite movimento de rotação...” fonte; Museu de Artes e  Ofícios de Minas Gerais.


“... marcas gravadas em relevo na estrutura inferior de sustentacão da roda grande vertical                    : desenho de um castelo ladeado por dois leões, centrado por decoração de flores, com um monograma composto por um ”H” e um ”C” sobrepostos...” fonte; Museu de Artes e Ofícios de Minas Gerais.


Ei-la aí nas dependências da Instituto de Criação e Restauracão do Mario Borréa. A máquina foi completamente desmontada, lubrificada, escovada para retirada de ferrugem , pintura sòmente em sua estrutura de apoio,  enfim “serviço completo”.   

Neste retrato já podemos vê-la com suas pecas desmontadas, porém já é perceptível  a acão do restaurador.

O momento artístico fica a cargo de Cesaria Evora.

                                                                                          Beijo Roubado.
                                                                  http://www.youtube.com/watch?v=YiWwTIu1Ma4
Autor: Miguel Guggiana
Ilustracão: Icio, O Cartunista

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Rádio Caravelle - um baita de um rádio -

                                              
Este rádio entrou no acervo em função de troca com o amigo Ricardo “Cansian” por uma máquina de escrever Remington.
Tentei identificar fabricante, data de fabricação, sem êxito.  


Consultei a respeito o Diretor do Museu do Rádio, Daltro D`Arisbo (w.w.w.museudoradio,com) que gentilmente respondeu dando um importante e exclusivo depoimento, discorrendo sobre contexto econômico existente na época em que meu Caravelle se criou.
O texto vai na íntegra para não correr o risco de perder sua essência.


"Olá.
Ele é um rádio transistorizado.
Já bem comentastes: destes eu não tenho referências.
Sou xiita na pesquisa e coleção: só valvulados! rsrsrsrs
As duas ou três exceções no site são por conta de rádios da nostalgia familiar.
Estes Caravelle e similares foram construídos na transição do mercado brasileiro da  válvula para o transistor.
As caixas ainda são grandes, pois rádio tinha (!) que ser grande...
E o chassi ainda é o mesmo da montagem com válvulas: apenas transformaram os recortes (furos grandes) em pequenos.
Aproveitaram todo o estoque de peças que serviram às válvulas e a tradição dos empregados - o velho know-how.
Esta época foi marcada pelas pequenas fábricas - micro empresas até de "fundo de quintal" que, avessas aos monopólios anteriores (RCA, Philco, Philips...) trabalhavam sem necessitar válvulas (quase um monopólio USA) para mexer com transistores, peças muitíssimo mais baratas e feitas em muitos cantos do mundo.
Foi exatamente nesta transição tecnológica aqui chegada com um mínimo de 8 anos de atraso, que cresceram a Mundial (Arno Decker e Cia Ltda.) e a Teleunião, ambas Porto-Alegrenses.
E tantos outros, como os fabricantes do teu rádio.

Abs
DD".


 
 Nesse retrato vemos o Caravelle nos estúdios do restaurador Pinga Boni.
    
.

    Escutem Elza Laranjeira...... 



                                           http://www.youtube.com/watch?v=JxyK6SSi1o0