A polenta é sempre lembrada na trajetória e história dos italianos natos e seus descendentes como a comida símbolo, presente diariamente à mesa. Causas prováveis; talvez pela falta de opções na época, pela facilidade da obtenção de sua matéria prima, habito alimentar original, capacidade de fornecer a energia necessária para a dura jornada de trabalho, ou ainda, todos estes motivos entrelaçados.
Sejam quais forem às razões a verdade é que é impossível dissociá-la desses imigrantes, laços que ainda são mais fortalecidos quando buscamos a letra e melodia da canção popular, La Bella Polenta, que definitivamente, através da música, cristaliza essa relação.
Diz-se que para ser autêntica deve ser feita na polenteira, termo “abrasileirado” para referir-se a PAROL ou CAIEIRA, panela de ferro redonda, como as dos retratos, garimpadas em Ronda Alta/RS, e que hoje fazem parte de meu acervo.
A preparação em sua receita clássica,
pelos motivos citados toma dimensão litúrgica,
embora simplesmente consista na adição de
farinha de milho e sal à água quente,
devendo ser mexida com esforço e
paciência no inicio do cozimento,
condição indispensável para que
mantenha uma consistência uniforme.
Após, de acordo com a sensibilidade
culinária do cozinheiro, é necessário
repetir a operação a fim de evitar que queime.
Decorrido determinado tempo,
um pouco mais ou menos, mais prá menos,
ou menos prá mais, ou mais ou menos,
dependendo da intensidade do fogo,
e alguns segredinhos de cada um,
considera-se “piatto pieno ”.
Coloca-se sobre a mesa e “bono apetitto”.”
Facile?! Si. Cosi, cosi. Como dite le none”.
Para qualificar nosso arrazoado nos socorremos de alguns versos, de autoria desconhecida, que sintetizam de forma saborosa e definitiva a representatividade de uma “bella” polenta;
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Escute:http://www.youtube.com/watch?v=WgYdQsO-C4I |
“Massa quente, mole, amarela,
Ferve lentamente, borbulha na panela
Para quem quer comer, haja paciência
Porém degustar a polenta, que experiência!
O calor naquela panela é infernal
Borbulha, borbulha, num ferver sem fim
Gruda e cria uma casca no final
Quem tem até disputa, deixa isto para mim!
Autor: Miguel A. Guggiana
Ilustraçao: Leandro Doro
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