quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Relógio de Ponto National

 Fabricacão: década  de 20 (?)


Em revisão/restauração



     Em  22.04.2015 postei no blog a imagem de relógio de ponto Rod-Bel, fabricação brasileira, que salvei de reciclagem, cujo modelo ainda podemos visualizar sendo utilizado em algumas empresas.  Citei na ocasião: “ relógio ponto é um dos itens que merecer constar de acervo de quaisquer museu que tenha por foco o TRABALHO.” Julguei que aquele Rod-Bel merecia destaque especial. Pois é! Que dizer desse NATIONAL, que para adquiri-lo, confesso, fiz algumas loucuras ( um dia conto!).  Mas acho que valeu a pena a  engenharia financeira para adquiri-lo,   logística para transporta-lo, o processo de revisão/restauração,  toda  vez que o vejo no Antiquário em plena forma: original  e funcionando. Peça de museu!


Possui chave original.



     Busquei na internet algumas informações a respeito de sua origem, que  transcrevo de forma  sucinta, buscando não arriscar divulgar incorreções:
     - Fabricado por Nacional Time Recorder Co Ltd, um dos maiores fabricantes de “gravadores de tempo” no Reino Unido. Provavelmente fundada em 1907, com sede e fabrica em St Mary Cray Kent, com filiais em Londres, Birmingham, Bristol, Dublim, Glasgow, Leeds, Manchester.





Mário Borrea, em plena atuação no seu studio de recuperação de antigos.



















segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Máquina de costurar PFAFF






Fabricada entre   1937/1938




Fabricada pela Pfaff Company Limited


Nr. 3 322 866

     Esta máquina  nem parece setentona,  considerando-se seu estado como podemos visualizar pelas fotos. Foi adquirida pela Sra. Mariute Vilkute Ligueika, já usada, ficando na família até chegar em poder de sua neta Naura Oliveira,  que teve o mérito de conserva-la, por longo tempo,  nessa forma admirável. Costurou para a família por 36 (trinta e seis) anos. Naura, lembra ainda, que quando criança brincava no pedal da máquina fazendo-a de carrinho.   Quantas lembranças brotam de uma  maquina de costurar!
No acervo do Antiquário, continuara recebendo os cuidados merecidos.

     Um pouco da história do fabricante:
“ Georg Michael Pfaff começou a produzir máquinas de costurar em 1862, na cidade de Kaiserlauten, Alemanha. A empresa logo se mostrou bem sucedida aumentando gradualmente a produçao. Inaugurou nova fábrica em 1902. Em 1910  foi produzida sua máquina de numero  1000000.  Em 1926 tornou-se a Pfaff Company Limited. Após a Segunda Guerra Mundial continuou a expandir sua produção, obtendo em 1950 a máquina de numero  5000000. Em 1957 adquiriu a Gritzner-Kayser”.

Fonte: Dr. Google


Máquina de costura*



Linha e agulha

seguindo

a vontade

do pedal

                                                                      daquela

artesã


Retalhos

revestidos

de atalhos

 para                  

a doce

aventura

 Vida

cerzida

nos tecidos

da imaginação
7/711, 8/7/11
Eliana Pichinine


                                   https://www.youtube.com/watch?v=XCXxJFmfGVc

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Máquina de costurar SINGER 15 K 88

Número EA 926730 

                                         Flagrante da Máquina no Estúdio do Mario Borrea para restauração.

“ Para meus pais, falar em máquina de costura, só podia ser uma, a legendária Singer. Meu pai era alfaiate e minha mãe costureira; aquelas maquinas foram as que aguentaram o ritmo diário de longas jornadas de trabalho. No inicio, importadas da Inglaterra, faziam parte do enxoval  de qualquer moça que quisesse ter sua casa com o indispensável bem viver. Era dote que as moças levavam para o casamento. Elas a recebiam antes de se casar, para serem introduzidas na arte de costura; os pais sabiam muito bem o quanto ajudariam na economia doméstica”.   

     O depoimento acima, do filósofo e escritor,  Odalberto Domingos Casonatto, nos diz muito da importância das maquinas de costurar num passado não tão longe assim.  Quantos de nós testemunhamos, ao nosso redor,  lembranças ainda vivas,  situação semelhante?! Certamente muitos.





Já restaurada / Fabricada em 1933.

     Esta  que apresento para vocês   foi adquirida a preço irrisório em Leilão (São  Paulo).  O motivo da desvalorização imagino que tenho sido a foto da apresentação da máquina ( lote 618), que podem perceber apresenta somente o móvel. E a máquina?  Acontece que   esta estava trancada ...  Mesmo não vendo a peça resolvi arriscar. Me dei bem,! Já em meu poder,  aberto mostrou-me uma verdadeira  raridade, em bom estado, funcionamento a mil,  e um detalhe interessante:  lâmpada direta – original -  para iluminar a costura.

Detalhe da lâmpada e motor elétrico.


Manuais que acompanharam a Máquina

sábado, 19 de setembro de 2015

Relógio antigo de mesa Junghans




Trova
“ Coração que bate-bate...
Antes deixe de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão passando  sem sofrer”.
Mario Quintana

             


Relógio de mesa Junghans – década de 40 (?) – fabricação alemã


     Este Junghans foi adquirido em Lisboa, Portugal, na feira de antiguidades de Belém. Muito bonito visualmente como podem perceber pelos retratos. Adornos de prata  lhe  valorizam ainda mais.  Recebi a informação do vendedor de que foi fabricado na década de 40 (?)...  Consta em seu corpo num pequeno selo:  número  3447 modelo  338.



29 cms comprimento x  16 cms altura x 04 cms profundidade









quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Câmera fotográfica Agfa SYNCHRO BOX



“ Apesar de bonitas e modernas, estas máquinas fotográficas  atuais não me agradam. As antigas me fotografavam bem mais jovem“.   
Moacir Luis Araldi




 Fabricada entre  1930/1958 – Agfa-Werk AG – MADE IN GERMANY -



     Tenho no  Antiquário  algumas câmeras fotográficas  tipo “ box”, populares na década de cinquenta pelo seu preço acessível, número que vai  encorpando a medida que novas marcas – nacionais e estrangeiras – são agregadas ao acervo.


Adquirida em 09/2015.
    
     Esta que compartilho estava a minha espera na feira de Belém, em Lisboa, Portugal, que funciona 02 (duas) vezes ao mês, aos domingos. Visita-la é programa imperdível para quem aprecia antiguidades.
     Uma das razões que me levou a compra-la  foi a de que não tinha uma Agfa em meu acervo, outra seu estado impecável tanto na aparência quanto no funcionamento, e, por fim, seu preço.  Convertendo euro / reais  me saiu por R$ 80,00 (oitenta reais). Como resistir!?



  - negativos 6 x 9 – 08 fotos  - filme 120 -




Escute Martinha...



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Relógio VEGLIA

Fabricação italiana/ a corda

     Este reloginho  ( 9 cm altura x 8 cm largura) passou um bom tempo “de lado” aqui no Antiquário largadão num canto, até que o amigo e colecionador de antiguidades Luiz Carlos  Vieira se propôs a dar um trato no mesmo. Desmontou, caprichou no polimento, e vejam só no deu!

 Adquirido em 1974 conforme gravação na parte traseira.

     Este é um exemplo do  que uma restauração, mesmo que simples, porem criteriosa como se ve nas fotos abaixo, transforma e valoriza um objeto. Ainda mais de graça. O amigo não cobrou nada pelo serviço.



     Em retribuição a gentileza do Luiz  Carlos  Vieira em recuperar o VEGLIA dedicamos ao mesmo a página musical a seguir. Curtam juntos!






















terça-feira, 21 de julho de 2015

Cadeira antiga

Adquirida em leilão –  maio/2015.




 Mário Borrea em plena ação em seu ''studio'' de restauração. 

     Quando a vi  atiradona em um canto não enxerguei somente uma peça interessante:  linda, trabalhada, posuda,  aristocrática, mas algo  mais.  Não a vi vazia.  Não quero mentir, Deus me livre disso,  mas  me pareceu ocupada. Senti nela “ a presença de seus passados usuários, em constante e  silenciosa miragem” como diz o amigo Darlou  D` Arisbo quando se refere aos objetos antigos que colecionamos, e,  dos quais não somos  proprietários: “ Eu, apenas efêmero e fiel depositário”.  Pois é!
     Poderia dizer alguma coisa mais a respeito,  mas a escritora Tânia Du Bois se refere às cadeiras,  em  crônica poética, de tal forma primorosa que a compartilho, dando-me livrança da tarefa. Saboreiam-na  e tenho certeza que nunca mais verão uma  cadeira  como tão somente uma cadeira. E nunca vazia...

A CADEIRA

por Tânia Du Bois

A cadeira, com ela nasce um novo conceito.
Você já sentiu a sensação de uma cadeira estar olhando para você? Ou já se deu conta da importância da cadeira? Segundo Pedro Du Bois, “… a cadeira representa a segurança do passado no que lembra…”
Há muito anos, para conseguir o meu primeiro emprego, em uma escola, foi necessário fazer teste de artes cênicas, frente aos professores do colégio e a banca de avaliação. Eles chamavam o candidato e colocavam um objeto no palco. O candidato tinha de criar algo, na hora.
Para mim, foi uma única cadeira, naquele imenso palco. As pessoas esperavam “luz, câmera, ação”, mas ouviram minutos de silêncio. E nesse exato momento tive a dimensão da importância de uma cadeira, mas, lá estava a cadeira e eu – o destaque do momento -, e aquela platéia esperando o “show”. Bem colocou Cid Corman, “… me dá vontade de gritar / olha a gente aqui! – mas / percebo que // Sabemos cada qual / no seu próprio silêncio / quanto cada qual sabe.”
Assim, tive a sensação de que a cadeira estava me olhando, pude sentir a sua presença e o objeto falar comigo. Ela e eu soubemos conquistar os nossos espaços. Ela chegou para ficar e eu consegui o trabalho. Como escreveu Ferreira Gullar: “… a cadeira não é tão seca / e lúcida, como / o coração.” Nosso encontro fez a diferença, ela contribuiu para alcançar o meu objetivo, porque atraiu a atenção de todos. Nas palavras de Nicolau Saião: “… cadeira: imóvel / vivo / e fixo / figura incomparável que se estende //… – um monstro mudo… a olhar-nos.”
Coloco a cadeira como ponto chave. Ela, com sua “autonomia”, me fez acreditar nas mudanças e na necessidade de implementá-la com visão clara dos fins; a cadeira demonstrou a existência da alternativa: criar para vencer, como em Mário Quintana: “tenho uma cadeira de espaldar alto //… levemente balanço entre uma e outra vaga de sono.”
O poeta Salete Aguiar, em seu livro Na cadeira de meu pai, reflete na poesia a passagem de questões envolventes em cada motivo, trazendo para perto do leitor as histórias do coração. “Na cadeira do meu pai estou sentado, / mas filhos não querem colo, / querem asas…”
Hoje, me encontro em momento especial, sentada na cadeira de balanço da bisavó, enquanto olho o mar, balanço as ideias e repasso as situações vivenciadas, diferentes entre si, onde encontro a razão da diferença em minha vida, como reflete Eduardo Barbosa, “Sua varanda tem sombra / cadeira de balanço branca / uma bela vista do jardim / Bichano carente, livros e paz…”