segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os dois seios da minha professora de religião


     Garçom, a saideira! Gazapina!
     Me ajuda nesta, juro que é a última! Não! Nunca vi o Rio Passo Fundo recusar água, que tal o estado aqui do parceiro de mesa.
    “Dicen que lós hombres no deben llorar por una mujer”. Isso fica bonito de dizer em letra de música. Agora, nas devas não corresponde à verdade. Homem chora, sim. Não digo aquele choro sem grife, por uma dor de uma unha encravada, um dente do siso atravessado, um furúnculo na bunda. Isso é fiasco. Por uma mulher se justifica, principalmente por uma paixão não correspondida, como no meu caso, no verdor de meus nove anos. Chorava pelos cantos da casa, não esse choro com lágrimas, mas aquele de paixão, no seco, coração cortado, sangrando, sem sutura, com uma placa de sal grosso e gotas de ácido em cima para aumentar o sofrimento e que a cada soluço rebentava com as amídalas. E essa dor causada por essa chaga aberta só dava trégua quando me envolvia treinando meu time de botão para as Olimpíadas Metodistas.
    Como sofria, foi um dos melhores sofrimentos de minha vida. Ah! Como queria que aqueles dias fossem todos os dias...
    Por pouco não cortei os pulsos com gilete e, pior, com uma faca de picá fumo, fio cego, ou, ainda, o que seria a glória maior, enforcar-me com um corpinho Du Loren que surrupiara do varal de roupas de uma vizinha. Esse desenlace mortal era o de minha preferência. Já vai saber o porquê! Tá dormindo?!
    Bueno, ela realmente foi minha primeira paixão. Conheci-a no quinto ano primário ali no Instituto de Educação, colégio metodista. Era minha professora de religião. Embora recém-egressa da Escola Normal, jovenzinha, ainda cheirando a mimeógrafo, já era uma mulher tupida, confortável, oferecendo aos meus olhos inocentes zona exuberante localizada em seu tórax privilegiado, que podemos comparar a dois mamões papaias no ponto de douçura.
    Ela tinha o costume de ministrar as aulas caminhando entre as classes, com o som de sua voz misturando-se ao toc toc dos saltinhos. Toc toc toc ttoc cott co toc oc to. Meu coração saltava quando se dirigia a mim com seu passo de gansa no melhor estilo da SS alemã, com os seios refestelando-se, abençoados pelo capeta. Embora aprisionados por um sortudo Du Loren, conseguia perceber duas cerejas maduras no topo de cada um daqueles impávidos colossos. Ah, meu Deus do Céu! Era coisa pra passá a mão com luvas de pelica! Algodão doce puro!
    Nesse caminhar é que tava o problema! O Santo Antonio! Me matava de ciúmes. Ela era devota do Santo Antonio, devoção evidenciada pela medalhinha que usava com a figura do dito dependurada numa correntinha. E a cada passo a medalinha ia e vinha, vinha e ia, e vice-versa e versa-vice. E quando podia introduzia-se na fenda que a blusa oferecia, fazendo tantas acrobacias para isso que deixaria um trapezista do Circo de Soleil no chinelo. A medalhinha entrava Santo Antonio e voltava Tonho, deixando no meio daquelas carnes a batina, os santinhos e os votos de castidade. Retornava extenuado, entregue e com um sorriso irônico dirigido a mim. Juro que é pura verdade! Pura verdade! Não dá prá acreditar em Santo! Muito menos em santo de medalhinha!
     “Menino, leia o trecho de um dos livros do Pentateuco”.
    Faria tudo por eles. Levantava-me lentamente, desafiador, ficava tete a tetas, sentia seu hálito de chicletes de gardênia, visualizava seu sorriso tipo Kolynos emoldurado por aqueles carnudos lábios escarlates e percebia suas palavras, sem exagero, dançando por sobre notas musicais. Inolvidável!
     “Menino, vamos, leia! Acorde! O Pentateuco! Quero traduzido, traduzidooo!!!”
     Transformava-me, sentia-me o Collor discursando no Senado do Império Inca para um montão de filisteus comunistas, e, no entanto, era um pequeno mancebo hipnotizado, subjugado, refém daqueles montículos endemoniados de uma mulher professora tupida, confortável... como já disse. Plenamente justificável. Se tu visse... é de não acreditar.
   Exercia um poder enorme de autocontrole, traduzir a leitura do texto do raio do Pentecostes do grego para o esperanto, não responder às implicações do Tonho e, o principal, ainda lambuzar-me com a paisagem próxima que se me oferecia tudo ao mesmo tempo... Meu Deus! Coisa de Juan Peron! Coisa de Juan Peron! Só eu mesmo...
    Uma pergunta? Claro, tamo conversando. Se ela era metodista, como poderia ser devota de um santo católico?
     Puta merda, arrumei um parceiro de mesa detalhista, não fala nada e quando fala se atém a minúcia. Estragam uma boa história por nada.
      Vou disfarçar...
    Tu sabes que o culpado dessa quase tragédia foi o Reverendo Pinheiro, diretor daquele Colégio. Na seleção de uma professora de religião o perfil recomendado é de que seja o de uma mulher com a beleza interior acima de qualquer suspeita... Que incompetência deliciosa!

    Garçom, a penúltima saideira! Gazapina! Quien dice que lós hombres no lloran por una mujer? Passa a garrafa...
        



Seu Zanette,

Tô me metendo neste texto só para alertá-lo, pois o contador dessa história disse que vai publicar essa conversa no Projeto, negócio aí dos escritores de Passo Fundo. Acho que o cara não bate bem da cabeça e quando bebe amolece mais as ideias. É um solitário, fala sozinho como se alguém estivesse com ele. Não é o mesmo que escreveu As normalistas do Notre Dame?!
Prá mim é loco de atá com arame farpado. Abre o olho.

Assinado: o dono do Bar
                                                                                                                                          
                                                    
                                                                                         A música não poderia ser outra! escute...                                                                                                  
                      


Autor: Miguel A. Guggiana
Ilustração: Leandro Doro



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Máquina manual de costurar Haid Neu





Esta maquininha foi adquirida junto com outras num pacote arrematado do empresário e apreciador de antiguidades Wilson “Máquinas”, aqui de Passo Fundo.  Tive dificuldades de identificá-la pois a única referencia disponível era sua numeração e “considerando que  as indústrias da época permutavam patentes e assim alteravam detalhes” a tendência é de que as máquinas fabricadas naquele período possuíssem características semelhantes.
(Haid Neu – nr. 1.550.839 – fabricada no período 1916/1920)


Recorri então  ao Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar(http://museumaquinascosturar.blogspot.com.br/) na pessoa de seu Diretor Darlou D `Arisbo que a partir da numeração, fotos, comparação de três de seu acervo e algumas variáveis técnicas, definiu-a, por semelhança, como sendo uma Haid Neu.





A fábrica Haid Neu foi fundada em 1860 em Karlsruhe, Alemanha.  Em 1868 saiu daquela indústria apenas 2.000 unidades, em 1872 20.000, e em 1881 100.000.  A partir de 1898 foram fabricadas meio milhão delas, partindo para 1.000.000 em 1904, e 2.000.000 em 1921. A empresa sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, mas em 1958 foi absorvida pela SINGER.



Os artistas que se apresentam nesta página foram selecionados considerando a finesse e a sensibilidade artística de excelência, dignas de uma Haid Neu!

Com vocês Edith Piaf cantando Ne me quitte pas e o poeta uruguaianense Alceu Wamosy, com o poema “Idealizando a morte”.






IDEALIZANDO A MORTE

Morrer por uma tarde assim como esta tarde:
Fim de dia outonal, tristonho e doloroso,
quando o lago adormece, e o vento está repouso,
e a lâmpada do sol no altar do céu não arde.

Morrer ouvindo a voz da minha mãe e a tua,
rezando a mesma prece, ao pé do mesmo santo,
vós ambas tendo o olhar estrelado de pranto,
e no rosto, e nas mãos, palidezes de lua.

Morrer com a placidez de uma flor que se corte,
com a mansidão de um sol que desce no horizonte,
sentindo a unção do vosso beijo ungir-me a fronte,
— beijo de noiva e mãe, irmanados na morte.

E morrer... E levar com a vida que se trunca,
tudo que de doçura e amargor teve a vida:
— O sonho enfermo, a glória obscura, a fé perdida,
e o segredo de amor que eu não te disse nunca!


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Caloi Ceci




        A Caloi Ceci foi lançada originalmente em 1972 para atender o crescente público feminino.
A Ceci se caracterizava como um modelo tipicamente para passeio, sofrendo adaptações  com a finalidade de torna-la esportiva como esta do retrato da qual foram retirados os para-lamas  e o guidom original substituído.





Esta foi, adquirido na Casa da Boa Troca, do Hermínio Portugues aqui em Passo Fundo, sendo a imagem da própria “magrela” e com certeza de sua antiga dona...






 




http://www.youtube.com/watch?v=wLK7LKVFnys


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mimeógrafo – desde quando?





 Mimeógrafo marca Facit - adquirido no lojão do Pedro Fogão / Ronda Alta, RS


Muita gente ainda lembra do mimeógrafo reportando-se com nostalgia aos tempos de colégio.
Aquela provas e exercícios cheirando a álcool !
Hoje praticamente desaparecidos das escolas, tiveram seu auge na década de 70, mas  lembro, que bem antes, sem poder precisar o período, já era bastante utilizado.
Quem lembra o ano de seu surgimento????????

Imagine quem se encontra aqui... John Lennon - Imagine – escute-o enquanto pensa no mimeógrafo de seu tempo.






domingo, 21 de outubro de 2012

Mi chiama che io vado!

Máquina manual de costurar SINGER – NR. F 7.159.836/ fabricada em 1916.
A cartunista Patricia Dal Prá registrou o momento em que comprava a maquininha.
A garimpagem de antiguidades envolve histórias que em determinados momentos é difícil acreditarem, até eu que as escrevo de quando em vez fico em dúvidas comigo mesmo. Penso, será verdade !?
 É o caso da aquisição desta “ italianinha”de  96 anos de idade.  Em setembro andei por Roma com um grupo de amigos e num fim de tarde no retorno para o Hotel, empoleirado num daqueles ônibus de dois andares, já cansadote, empanturrado de cultura, vinha tirando uma sonéquinha alheio às belezas da cidade quando em determinado momento acordei com vozes.
Mi chiama che io vado!! Me chama que eu vou!!  Bah!!


 Numa pequena praça com bancas de livros e revistas ( SEBO) sobressaia-se a meus olhos em  uma delas  algumas antiguidades expostas e uma especialmente; a que parlava.  A maquininha SINGER!  Amor à primeira vista.

Dei um jeito de me localizar e minutos depois estava negociando com duas italianas. Externei  minha preocupação quanto a documentação  visto que teria que passar por alfândegas, aeroportos... Não tiveram dúvidas emitiram um recibo e só... sensa problemi, sensa problemi, parlaram.

Imaginem as dificuldades logísticas enfrentadas para carregar, despachar a “italianinha”, e ainda as dúvidas quanto a algum eventual enrosco burocrático e até o risco de machucá-la na viagem.
Enfim, final feliz. Já está comigo e em plena forma. Deixando de conversa fiada  este blog orgulhosamente apresenta  esta máquina norte americana  “importada”  da Itália, posando pro retratista conforme os instantâneos  que seguem:



Saudando o evento contamos com a presença de Rita Pavoni, com "datemi un martello"












segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não esqueça minha Caloi!



Caloi Ceci Fiori


“Não esqueca minha Caloi!”. Muitos lembram ainda deste slogan criado e adotado nas campanhas publicitárias que a companhia realizou em 1978, ficando na memória do público até hoje.
A história do fabricante começou lá pelo ano de 1898 quando Luigi Caloi, e seu cunhado, Agenor Poletti, abriram a Casa Poletti & Caloi com a finalidade de alugar, conservar e reformar bicicletas. Em 1948 a razão social passou a Indústria e Comércio de Bicileta Caloi passando mais tarde a chamar-se Bicicleta Caloi S/A


 Esta bicicleta foi comprada  em uma loja de móveis usados na cidade de passo Fundo/RS.



 A seguir postamos alguns retratos evidenciando o estado original em que se encontrava.
Sofreu a interferência do restaurador Pinga Boni.













 Nos acompanha neste momento Los Iracundos.
 
 





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Rádio Frahm



Esse rádio poderoso e gabola , fabicado pela FRAHM Indústria  Comércio de Rádios Ltda ( Praca Irmembergo Fellizzetti, 18, Ri do Sul/SC),  veio para meu acervo resultante de uma longa negociação com a amiga Graziela Rocha lá pelo mês de outubro de 2011.




Esses rádios antigos são bons mas sempre apresentam alguma balda. Este Frahm perde a voz toda vez que o Internacional perde jogo, simplesmente  emudece. Fica emburrado por uns dois dias, bem que a Grazi avisou.  Mas, tirante este probleminha fala muito bem.
Em sequencia posto alguns retratos quando de seu estado original/revisão/restauração no estúdio da Iti Boni, aqui em Passo Fundo.




Flagrante de Iti Boni em plena atividade no laboratório de restauração